A série policial de Francisco Moita Flores, estreou a semana passada e já é um sucesso. A realidade nua e crua, para ver todos os dias pelas 00h00, na TVI.
'Diana decidiu que não valia a pena continuar a estudar depois da vida lhe ter pregado dois pares de estalos. O primeiro deles foi a morte do pai. Fora despedido. A empresa, onde trabalhara toda a vida, entrara em crise e puseram dezenas de homens e mulheres na rua. O pai, o senhor Manuel, como era conhecido no Bairro, tinha orgulho em ter trabalho firme desde novo.
Achava que os homens se afirmavam trabalhando e nunca ligara áqueles que o seduziam para o contrabando de tabaco e, até, para os negócios da droga. Diana era a menina dos seus olhos. Por ela trabalharia até doer. Por ela e por Augusta, sua esposa, que uma doença de ossos atirara para reforma precoce.
Ainda tentou arranjar novo oficio mas a crise devorava empregos e, onde perguntava, respondiam-lhe que estava velho.Aos 45 anos, o senhor Manuel, convenceu-se que estava velho, incapaz, improdutivo, sem forma de arranjar sustento para os seus. Entrou em depressão. E uma tarde, Diana chegou da escola e teve um choque. O pai balouçava sinistramente enforcado num dos quartos da casa. A dignidade ofendida fora mais forte que o impulso de vida e desistiu. Diana tinha 9 anos.
Aguentou o embate,ajudando a mãe doente, indo à escola, bebendo as lágrimas da ausência e da saudade. Um dia, na televisão, um dos administradores da empresa, onde o senhor Manuel trabalhara, foi entrevistado. Ganhava 100 mil euros por mês e a mãe não soube responder-lhe porque é que o pai, que ganhava apenas 800 euros, fora despedido e aquele homem ganhava tanto como cento e tal pais igual ao dela. Talvez a mãe soubesse responder mas não tinha forças. A morte do marido acelerara a doença e numa noite de grande sofrimento, veio a ambulância e levou-a para o hospital. Nessa mesma noite, o Bifanas, o maior bandido do Bairro foi falar com ela. Estava assustada e o Bifanas acalmou-a. Enquanto o seu grupo pudesse, Diana podia contar com eles. Lembrou-se do pai, do seu desprezo para quem andava no mundo do crime, agradeceu envergonhada e rezou para que a mãe Augusta regressasse depressa e curada a casa. Regressou no dia seguinte. Haviam-lhe tirado as dores nos ossos e mandado para casa pois os tratamentos eram caros e a reforma dela não dava para comer quanto mais para ter atenção médica.
E nessa mesma noite, Augusta partiu para sempre. Em apenas um mês, Diana ficou órfã. Nem o conforto da vizinha Natércia lhe tiraram a revolta. Não chorou. Não se lamentou. Uma estranha fúria tomou conta de si e da sua desgraça. E dois dias depois foi oferecer-se para o bando do Bifanas. O seu lugar-tenente, o Batman, resistiu.
Já tinham uma rapariga no grupo - a Nicha - não precisavam de mais miúdas. Sem força para uma sessão de porrada, sem pernas para uma corrida á frente da polícia. O Batman gostava de dar opinião sobre tudo e tinha algum despeito de não ser o chefe, mas a verdade é que o Bifanas tinha uma pistola. E quem está armado é quem manda. Aceitou Diana no grupo.
Eram sete, contando com ela. Roubavam em supermercados e comboios. Nas praias e em centros comerciais. Roubavam por esticão, por descuido, por arrombamento. Bifanas controlava a venda de droga no Bairro e assumia a sua autoridade á força de murro e de tiros. Mas que se soubesse, nunca matara ninguém. Diana insistia que deviam atacar quem tinha dinheiro. Bifanas sonhava ter uma distribuição de droga para lá do Bairro.

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